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Apresentação

        O ano de 2008 se revelou como uma trajetória repleta de múltiplos sentimentos para todos os brasileiros. Esperanças renovadas, tal como percebemos ao longo da história de nosso país, em anos de grandes competições esportivas, o brasileiro foca suas expectativas na performance dos atletas brasileiros, fugindo das dificuldades cotidianas. Em 2008, não foi diferente. Ano de Jogos Olímpicos, ano de sonhos. Adentramos janeiro acompanhando o preparo dos nossos representantes na competição e alimentando nossas esperanças. Entretanto, com o passar dos dias, foi preciso deixar que a realidade nos fizesse colocar os pés no chão, diante dos acontecimentos vividos no Brasil e no Mundo. Grandes mudanças estariam por vir!

        Nos surpreendemos com o afastamento de Fidel Castro de seu cargo, em fevereiro, após o cumprimento de um dos mais longos mandatos de que se tem notícia. Fidel, que assumira a presidência de Cuba em 1959, abriu caminho para seu irmão Raul Castro, sinalizando para o início de reformas no país.

        Em março, o Brasil se viu chocado diante da atrocidade cometida contra Isabella Nardoni, de 5 anos de idade, morta pelo pai e pela madrasta. A cobertura exaustiva dos veículos de comunicação de massa mobilizou o interesse nacional pelo tema, ao mesmo tempo em que colocou em cheque o abusivo espaço na mídia para questões relacionadas a violência e ao sensacionalismo. Infelizmente, o caso explícito de violência não foi o único: meses depois, em outubro, acompanhamos o drama das jovens Eloá Rodrigues e Nayara Rodrigues Silva, mantidas em cativeiro por Lindemberg Alves. As negociações com a polícia foram acompanhadas de perto pela televisão e se mostraram desastrosas, culminando com a morte de Eloá.


         Fenômeno semelhante de exposição na mídia foram as fortes chuvas sentidas em Santa Catarina em novembro. O drama de milhares de pessoas que perderam a vida ou tudo o que tinham pelo recorde histórico de chuvas para o mês provocou mobilização nacional de ajuda aos desabrigados.
Polêmicas foram companheiras dos brasileiros em 2009. Uma das grandes discussões do ano foi o endurecimento da legislação de trânsito, que passou a ser mais rigorosa com os motoristas que dirigem após ingerir bebidas alcoólicas. Um copo de chope a mais seria suficiente para pesadas multas e apreensão do veículo, podendo chegar à prisão do condutor. Em um primeiro momento, caiu o consumo de bebidas em bares e restaurantes, obrigando consumidores a reverem seus hábitos!


         Em julho, o Exército Colombiano libertou Ingrid Betancourt e mais 14 reféns das Farc, após 6 anos de cativeiro, renovando esperanças de Justiça, após várias tentativas de fuga e enfrentamento de doenças. Ingrid havia sido sequestrada em 2002 por fazer campanha presidencial em área de domínio das Farc. Enquanto isso, no Brasil, também se procurava fazer Justiça. São presos o investidor Naji Nahas, o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, que estariam envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas.


         Em agosto, o mundo acompanha os grandes feitos esportivos nos Jogos Olímpicos de Pequim. A China, anfitriã do evento, se confirmou como potência olímpica, liderando o quadro de medalhas. Para o Brasil, vieram as medalhas de ouro pela Natação, com César Cielo, pelo Atletismo, com Maurren Maggi e pelo Vôlei de quadra. O país também teve sua melhor colocação na história de sua participação nas paraolimpíadas. No mundo dos espetáculos, o Brasil é palco de um dos shows mais esperados da indústria fonográfica, que somente chegou por aqui ao finalzinho de 2008: a popstar Madonna arrebatou multidões.      


        O mundo tecnológico prometeu grandes inovações em 2008. Ao mesmo tempo em que a Apple anuncia a nova geração do iPhone, as companhias de telefonia celular noticiam a portabilidade, ainda em processo de implantação no Brasil. A tecnologia Blue-Ray, formato criado pela Sony, é consolidada como alto padrão de qualidade e definição e invade as lojas, anunciando forte concorrência ao DVD. No Brasil, o STF anuncia a liberação do uso de células-tronco embrionárias, as únicas capazes em se transformar em qualquer célula do corpo humano, em pesquisas científicas. A notícia sinaliza para possibilidades de cura de doenças crônicas, como o diabetes.


        O Mundo financeiro ficou abalado diante de uma das maiores crises econômicas sentidas desde a Crise de 1929, que provocou, naquela ocasião, a falência coletiva de empresas e bancos. O que parecia ser uma leve infecção transformou-se em um câncer em estágio de metástase. A crise de Wall Street virou crise global.  O Brasil, que em um primeiro momento, de acordo com as palavras do presidente, não se via muito atingido, sentiu os fortes efeitos da crise mundial. A especulação financeira a níveis assustadores provocou o aumento de dívidas arroladas entre bancos, provocando a quebra de importantes instituições financeiras como o Lehman Brothers. Foram necessárias medidas emergenciais para que o cenário crítico do início do século XX não se repetisse no começo do século XXI. O Estado voltou a intervir, na tentativa de livrar bancos e grandes empresas da bancarrota. No Brasil, o Banco Central reforçou o caixa dos bancos. Ações caíram na Bolsa de Valores, colocando investidores em estado de alerta. A Bovespa, que anunciou  fusão com a Bolsa de Mercadorias & Futuros (criando a terceira maior bolsa de valores do mundo), em março, chegou a fechar o pregão com baixa de 13% em outubro. As consequências do momento foram imediatamente sentidas no Mundo, com reflexos importantes no Brasil: retração do consumo, diminuição do crédito, alta do dólar. A recessão é confirmada quando constatados os altos níveis de desemprego associados à crise. Em resposta a crise, em novembro, o Unibanco e o Banco Itaú anunciam sua fusão, criando um gigante do mundo financeiro, com cerca de 4,8 mil agências em todo o mundo. Em dezembro, Bush anunciou um pacote de 17,4 bilhões para salvar um dos setores mais afetados pela crise: o automobilístico, atingindo empresas de grande porte como a Ford, a GM e a Chrysler.


       Ao mesmo tempo, começavam as movimentações da Petrobrás para a extração de óleo, no Espírito Santo, na chamada camada pré-sal. O anúncio da existência da reserva fora feito pelo presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, em abril.


 Ainda que em tempos difíceis, nos enchemos de expectativas ao confirmarmos a eleição do primeiro presidente negro ao governo dos Estados Unidos. Barack Obama, ao derrotar o adversário republicano John McCain, venceu também anos de preconceito racial vivido entre os norte-americanos. É uma vitória, também, diante do projeto representado pelo governo Bush, que concentrou altos investimentos em tecnologia para uma guerra  sem precedentes – a do Iraque. São projetadas mudanças que representarão grandes esperanças para 2009.


         No Rio Grande do Sul, em termos politicos, tivemos um complicado início. Uma crise política assolou o governo de Yeda Crusius, apontando desvios de verbas através de CPI. A oposição chegou a cogitar o impeachment da governadora. No Brasil, a movimentação política foi garantida pela eleição de novos prefeitos e vereadores, renovando, também, os votos para mudanças positivas no país no ano que começa agora.

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