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Entrevista

Nome: Jorge Augusto Schmidt  

Idade: 51 anos 

Profissão: Técnico da Seleção Portuguesa de Vôlei

Fotos: Federação Portuguesa de Voleibol

 
Como foi a sua vida acadêmica? O que mudou neste período?
A vida universitária foi muito marcante na minha formação profissional. Aproveitei muito minha fase acadêmica e acho que fiz tudo muito certo. Me formei em 1979 fazendo o curso num período compatível à minha realidade. Tive que administrar trabalho com estudo e vejo, agora, que foi muito boa a relação do meu aprendizado com o compromisso profissional e poder viver a relação do estudo com aquilo que se deve ter na prática.

 

Como entrar e se manter no esporte de alto rendimento?
Esporte de alto rendimento tem a ver com interesse, dedicação e aptidão. Nessa área temos que ter certeza daquilo que queremos. Viver do esporte de alto nível é muito difícil dentro da realidade do professor de Educação Física. Não existem regras absolutas, mas digo que as coisas surgem para aqueles que as procuram e sabem administrar. Temos que ter a convicção de que as chances são dadas a quem se oferece.

 

O voleibol é tão popular em Portugal quanto no Brasil?
O voleibol em Portugal é muito diferente do que temos por aí. Primeiro porque aqui estamos em uma cultura da profissão específica. A realidade do jovem português passa pelo meio universitário. Esporte é, por aqui, para poucos e abnegados. Temos bons jogadores, excelentes técnicos e treinadores, mas a matéria-prima é muito escassa. O voleibol é muito bem-conceituado e aceito como um esporte organizado e bem gerido. Temos bom público em ginásios e boa audiência em rádio e televisão. Com muito trabalho e organização, as seleções portuguesas podem ir adiante e surpreender, mesmo num país de poucos praticantes esportivos.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jorginho atuando durante intervalo de jogo da selação portuguesa

 

Você acha que o estudante ou profissional deva se preocupar com o lado do negócio no esporte?
Devemos ser negociantes em todas atividades que temos com nossas aptidões. Acho que o campo da Educação Física está em franca expansão. Sempre deixei claro que o retorno da dedicação deve estar ligado à nossa satisfação profissional. Nunca devemos ser somente ligados ao que recebemos pelo nosso trabalho, mas acho muito bom ser valorizado.
 

Quais são ou foram teus ídolos?
Se espelhar ou tentar seguir exemplos é da minha conduta. Não tenho receio de dizer que estou sempre em evolução - aprendizado. Gosto de trocar informações e experiências o tempo todo. Acho que tenho muito a aprender ainda e esta nova experiência no exterior tem me dado grandes avanços. Servir de espelho, isto é coisa de livro. Temos que buscar referências.
 
Pensavas, no início da carreira, em treinar uma seleção européia?
É lógico que eu almejava ser um profissional da minha área e também me sentir orgulhoso. Mas como disse antes, as coisas só acontecem para quem está no caminho. Títulos são consequências daquilo que nós buscamos com nossa dedicação. Treinar um time aqui ou ali são oportunidades que surgem.

 

Você está adaptado à Portugal?
Me considero bem adaptado a Portugal e também bem incorporado a vida lusitana. Um país que nos recebe muito bem e tem costumes muito parecidos com os nossos. A qualidade de vida é muito boa, mas sempre as saudades da nossa terra se evidenciam. Sou muito feliz por ter sempre morado em uma cidade de referência. Sinto orgulho de ser hamburguense, gaúcho e lógico, brasileiro. As coisas se amenizam porque a minha esposa, Stela e meu filho, Marcelo, estão também plenamente adaptados por aqui e conseguimos estabelecer um padrão de vida familiar muito tranquilo. Minha filha, Betina, está no Brasil em função do voleibol, mas muito ligada a nós o tempo todo. Nossos familiares e amigos mantém contato com a gente e isso nos deixa muito próximos daí.

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